segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

O TEU RISO.


 Pablo Neruda e o seu último amor: Matilde.


Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.


Não me tires a rosa,

a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.


A minha luta é dura e regresso

com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.


À beira do mar, no outono,

teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.


Ri-te da noite,

do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então, morreria.


Pablo Neruda in "Os Versos do Capitão"




                   



***********************************************
****************************

sábado, 20 de janeiro de 2018

NEM EU.

Imagem encontrada na Net.


Afinal, o que é esse sentimento leve, pesado, doce, amargo, alegre, contristado, impensado, irrazoável, insano, que toda a gente deseja, todos sonham e ninguém sabe onde mora, o que realmente é… se existe e onde pode ser encontrado?


O princípio “Era uma vez”…e o final  “Foram felizes para sempre”,  são histórias da carochinha. Uma maneira de ganhar a vida escrevendo sobre algo que não existe…Os adolescentes acreditam, sonham e o tempo vai passando sem que nunca se descubra quem inventou essa coisa impalpável, invisível, imprevisível
a que chamaram: Amor…







******************************************

**********************

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

LUME D'ÁGUA.



“Cantar? E para quê? – me dizem todos:
Não é com cantos que se ganha a vida.
Por desgraça assim é; mas eu já agora,
Enquanto o barco da existência vogue
Ao lume d’água, irei cantando sempre.
Se com meus versos não alcanço glória,
Ao menos logro distrair o espírito
Das tristezas reais da vida amarga.”



Assim pensava e escreveu Guerra Junqueiro, como introdução
 ao seu poema "Baptismo de Amor", neste Vibrações Líricas." 

Concordo inteiramente: Quem não ganha a vida a cantar, 
canta  para as agruras da vida espantar. Ao menos isso...




===================================================
========================================

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Já Fui Feliz Aqui [ XLI ]




De braços abertos
Abraçando o rio
Olhando os teus passos
De longe sorrio

Recordo esta tarde,
Já tarde no tempo
Relembro e te lembro
E sinto um vazio

Apesar de longe
A paz é maior
Sabendo que a vida
Para ti é melhor

E nesta saudade
De te abraçar
Lanço-me no espaço

  Querendo voar, voar, voar…





Para o meu filho, com Amor.

 (Agosto de 2016)


****~~~~****

domingo, 14 de janeiro de 2018

DETRÁS DA MINHA JANELA.






Quem olha, de fora, através de uma janela aberta,
não vê jamais tantas coisas quanto quem olha de uma janela fechada.
Não há objecto mais profundo, mais misterioso, mais fecundo, mais tenebroso, mais radiante que uma janela iluminada por uma luz difusa.
O que se pode ver à luz do sol é sempre menos interessante que o que se passa atrás de uma vidraça. Neste buraco negro ou luminoso vive a vida, sonha a vida, sofre a vida.
Para além do ondular dos telhados, avisto uma mulher madura, já com rugas, sempre debruçada sobre alguma coisa, que nunca sai de casa.
Pelo seu rosto, pela sua roupa, pelos seus gestos, por quase nada refiz a história desta mulher, ou melhor, a sua lenda e, por vezes, conto-a a mim mesmo, chorando.
Tivesse sido um pobre velho, também a teria refeito, facilmente.
E deito-me, feliz, por ter vivido e sofrido pelos outros como se fosse eu mesmo.
Talvez me digam: “Tens a certeza de que esta lenda é verdadeira?”
Que importa o que possa ser a realidade situada
 fora de mim, se me ajuda a viver,
 a sentir que existo e o que sou?


[ Baseado no  poema “As Janelas”
de Charles Beaudelaire ]





sábado, 13 de janeiro de 2018

DA (I)MATURIDADE EMOCIONAL.




Amadurecer é ter cuidado com as palavras que dizemos a outrem, pensar se aquilo que nos parece normal, não terá um efeito negativo nos sentimentos e na auto-estima da pessoa a quem nos dirigimos.



Imaturidade é confundir ditos espirituosos com expressões abusivas, é não entender os limites de um relacionamento amigável e cortês, não haver uma preocupação em não ferir a sensibilidade da pessoa a quem  dirigimos a palavra. 





Finalmente, e espero que definitivamente, possuir maturidade  emocional é saber entender isto:- Tem juízo...respeitinho é bonito e eu gosto!


===================================
=====================

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

CONTRADIÇÕES.


Tela by Dima Dmitriev.




Noite…companheira dos meus sonhos

Das longas horas amargas

Onde tudo se perdeu


Dias e noites perdidas

    que foram sarando 


  feridas


    pequenas coisas esquecidas


       grandes batalhas vencidas.



    Não sei para onde

              Partiste

                 Cobardemente

                          fugiste. 
                           

  Hoje, quem já te não quer…

                               …Sou eu!




                            
                                

                                 


***---***